Com essa base entendida, o desafio segue adiante. Nesta segunda etapa, a compra foi de ações do BBAS3, ao preço de R$ 21,07 cada, somando ao MXRF11 mais uma peça na construção de uma carteira orientada à renda recorrente. Exatamente o padrão que a maioria dos investidores brasileiros bem-sucedidos na bolsa parece seguir.
Depois de começar pelos fundos imobiliários no Dia 1, chegou a hora de olhar para outro pilar clássico da carteira do investidor brasileiro: as ações de bancos pagadores de dividendos. E poucos papéis representam melhor essa categoria do que o BBAS3.
O que é o BBAS3
BBAS3 é o ticker da ação ordinária do Banco do Brasil negociada na B3. Diferente do MXRF11, que é um fundo, aqui o investidor compra uma fatia real da empresa, ou seja, se torna sócio do banco e passa a ter direito a voto e a participação nos lucros.
O Banco do Brasil é uma sociedade de economia mista: a União (o governo federal) é a acionista controladora, enquanto o restante das ações fica em circulação livre no mercado, disponível para qualquer investidor comprar pelo home broker. É esse modelo híbrido, parte estatal, parte negociada livremente em bolsa, que explica por que o papel costuma ser negociado com um desconto em relação a bancos privados, refletindo o chamado “risco de governança” ligado ao controle público.
Por ser uma das maiores instituições financeiras do país, com forte presença em crédito, agronegócio e uma base de clientes gigantesca, o BBAS3 também integra o Ibovespa, o principal índice da bolsa brasileira, o que garante boa liquidez para quem compra e vende o papel no dia a dia.
O valor da ação
No momento desta segunda compra do desafio, a ação do Banco do Brasil foi adquirida a R$ 21,07. É um preço historicamente considerado convidativo para o papel, especialmente em comparação a outros grandes bancos listados na bolsa, o que reforça o apelo do BBAS3 como porta de entrada acessível para quem quer se tornar sócio de uma instituição financeira de grande porte.
Assim como qualquer ação, o preço do BBAS3 oscila diariamente conforme o humor do mercado, os resultados trimestrais do banco e o cenário macroeconômico, especialmente as expectativas em torno da taxa Selic e da qualidade da carteira de crédito, dois fatores que pesam bastante sobre o desempenho de instituições financeiras.
E os dividendos?
Se o MXRF11 se destaca pela distribuição mensal de dividendos, o BBAS3 segue uma lógica um pouco diferente, mas igualmente atrativa para quem busca renda passiva: o banco distribui proventos de forma recorrente ao longo do ano, combinando Juros sobre Capital Próprio (JCP) pagos trimestralmente com dividendos complementares.
A política de distribuição do Banco do Brasil costuma seguir um payout, a fatia do lucro líquido destinada aos acionistas, historicamente na faixa de 30% a 40%. Esse percentual pode variar de acordo com o desempenho do banco em cada ano: em ciclos de lucro forte, o payout tende a subir; em momentos de maior pressão sobre os resultados, a distribuição pode ser revisada para baixo, como ocorreu mais recentemente.
Vale destacar
Os valores pagos em JCP sofrem incidência de imposto de renda na fonte, diferente dos dividendos tradicionais, que são isentos, um detalhe importante na hora de calcular o retorno líquido que chega ao bolso do investidor.
Como em qualquer ativo de renda variável, é fundamental lembrar que dividendos pagos no passado não garantem os mesmos valores no futuro. O retorno via proventos depende diretamente da geração de lucro do banco e das condições do cenário econômico.
Por que isso faz sentido
Um levantamento recente da Grana Capital, que analisou o comportamento de quase 195 mil investidores pessoa física na B3, revela um padrão interessante: quem ganha dinheiro na bolsa no Brasil não está atrás de apostas arriscadas, e sim de previsibilidade e de renda recorrente caindo na conta. Não por acaso, 82,67% desses investidores fecharam os últimos 12 meses no positivo e a explicação está justamente nos ativos que mais aparecem nas carteiras: empresas pagadoras de dividendos, com destaque para os setores bancário, elétrico, de saneamento, seguros e também os fundos imobiliários.
É esse mesmo retrato, a preferência do brasileiro por previsibilidade e renda passiva, que guiou essa segunda escolha do desafio.
O desafio continua, tijolo por tijolo, ação por ação.