Um levantamento recente da Grana Capital, que analisou o comportamento de quase 195 mil
investidores pessoa física na B3, revela um padrão interessante: quem ganha dinheiro na bolsa
no Brasil não está atrás de apostas arriscadas, e sim de previsibilidade e de renda recorrente
caindo na conta. Não por acaso, 82,67% desses investidores fecharam os últimos 12 meses no
positivo e a explicação está justamente nos ativos que mais aparecem nas carteiras: empresas
pagadoras de dividendos, com destaque para os setores bancário, elétrico, de saneamento,
seguros e também os fundos imobiliários.
Esse retrato mostra a preferência do brasileiro por previsibilidade e renda passiva, que inspira
o início deste desafio. Será esse o melhor modelo?
Todo mundo lembra do primeiro real investido na bolsa. Para muitos brasileiros, esse primeiro
passo não vem com ações de empresas gigantes ou fundos multimercado complexos, vem de
algo mais simples e mais palpável: um fundo imobiliário.
É exatamente por aí que este desafio começa.
Por onde o brasileiro começa na B3
Quando um investidor iniciante decide colocar o pé na bolsa de valores brasileira, a B3, ele
geralmente busca três coisas: simplicidade para entender o produto, um valor de entrada
acessível e alguma forma de retorno recorrente que faça sentido no bolso do dia a dia. Não é à
toa que os Fundos de Investimento Imobiliário (FIIs) figuram entre os produtos mais procurados
por quem está começando.
Diferente de comprar um imóvel inteiro,o que exige capital alto, burocracia e tempo , um Fundo
Imobiliário – FII permite que o investidor compre uma fração de uma carteira de imóveis ou de
títulos ligados ao setor imobiliário, através de cotas negociadas na bolsa, como se fossem
ações. É simples: você compra uma cota, passa a ser cotista e participa dos resultados
daquele fundo.
O ativo escolhido: MXRF11
Para abrir esse desafio, a escolha recaiu sobre um dos fundos mais populares do mercado
brasileiro: o MXRF11, o FII Maxi Renda.
Criado em 2011, o MXRF11 é administrado pelo BTG Pactual e gerido pela XP Vista Asset
Management. Ele é classificado como um fundo de papel, o que significa que, em vez de
comprar prédios ou galpões físicos, ele investe principalmente em títulos de renda fixa ligados
ao setor imobiliário,como Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRIs), Letras de Crédito
Imobiliário (LCIs) e debêntures.
Funciona de forma didática assim: o fundo capta dinheiro de centenas de milhares de cotistas
hoje, o MXRF11 tem centenas de milhares de investidores e mais de 200 milhões de cotas em
circulação e usa esse capital para comprar uma carteira diversificada de créditos imobiliários.
O retorno gerado por esses títulos é o que sustenta a distribuição de dividendos aos cotistas.
Por ser negociado em bolsa, o preço da cota varia dia a dia, de acordo com a oferta e a
demanda do mercado, assim como uma ação.
O valor da cota
No momento da entrada neste desafio, eu investi na cota do MXRF11 o valor total de R$ 46,80.
É um valor relativamente acessível se comparado a outros ativos de renda variável, o que
ajuda a explicar por que esse fundo costuma ser porta de entrada para tanta gente na bolsa.
Vale destacar
Esse preço não é fixo. Ele oscila conforme o humor do mercado, o cenário de
juros e a percepção de risco dos investidores em relação ao crédito imobiliário. Por isso, antes
de qualquer aporte, o ideal é sempre observar a cotação do dia e entender os fundamentos por
trás do fundo — não apenas o preço em si.
E os dividendos?
Um dos grandes atrativos dos FIIs e do MXRF11 em particular, é o pagamento mensal de
dividendos. Pela regulamentação em vigor, os fundos imobiliários são obrigados a distribuir a
maior parte de seus resultados aos cotistas, e essa distribuição costuma ocorrer todos os
meses, até o 10º dia útil.
Na prática, isso transforma o FII em uma fonte de renda passiva: mês a mês, o cotista recebe
um valor proporcional à quantidade de cotas que possui, sem precisar vender nada. É esse
fluxo recorrente que atrai tanto investidores que buscam complementar a renda quanto quem
está pensando em construir patrimônio no longo prazo.
Importante lembrar que dividendos passados não garantem dividendos futuros, o MXRF11 é
um investimento de renda variável, e como tal, carrega riscos de mercado e de crédito que
precisam ser compreendidos antes de qualquer decisão.
Dia 1: a primeira compra
E é com esse pano de fundo que o desafio começa. Nesta primeira etapa, a compra foi de 5
cotas do MXRF11, ao preço de R$ 46,80 total, o que ilustra bem como é possível dar o
primeiro passo na B3 sem precisar de um grande capital inicial.
A partir daqui, o objetivo é acompanhar, mês a mês, como esse tipo de investimento se
comporta na prática: a variação do preço da cota, o recebimento dos dividendos e os
aprendizados que só a experiência real na bolsa consegue trazer.
Neste desafio o objetivo é mostrar que a rentabilidade passada não garante rentabilidade futura
e os impactos do efeito manada na tomada de decisão.
Esse é só o Dia 1. O desafio começou.